|
Flamengo
|
||
| ||
| ||
|
||
Mas voltemos no tempo até 1927. Aquele título carioca serviu para comprovar a mística da camisa e do amor pelas cores Rubro-Negras. Eis a explicação: o Flamengo tinha se metido numa briga com a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA) e foi suspenso por um ano. Os jogadores, temendo ficar sem jogar, se transferiram para outros clubes. Mas a força política do Flamengo, com o aval da massa de torcedores, pressionou de tal forma a AMEA que a entidade voltou atrás e cancelou a suspensão. Era preciso então arranjar um time para disputar o campeonato de 27. O time foi formado por veteranos como Píndaro, aquele zagueiro da primeira equipe Rubro-Negra de 1912 e bicampeão carioca de 1914-1915. Aquele Flamengo formado às pressas e com vários veteranos chegou a perder de 9 a 2 para o Botafogo, mas ainda assim continuou a luta até a conquista do título carioca de 1927 em decisão com o arquirrival Vasco da Gama, o melhor time do campeonato. O Flamengo venceu por 3 a 0 no jogo do turno e 2 a 1 no returno, resultados que lembraram a final de 2000. Como em 2000, foi uma vitória incontestável e gloriosa. Naquele time jogava Flávio Costa, o "Alicate", que se tornaria um dos melhores técnicos do futebol brasileiro em todos os tempos. A partir daquele ano de 1927 ninguém mais duvidava da força da torcida Rubro-Negra. O povo aprendeu a amar o Flamengo pela coragem, a garra, a dedicação e a fibra dos seus jogadores. A prova definitiva tinha sido, justamente, o campeonato daquele ano. O Flamengo era puro amor à camisa. Chegou então o profissionalismo no futebol. O Flamengo custou a aderir à idéia com receio de que a mudança alterasse o comportamento de amor à camisa dos seus jogadores. O Fluminense, não. Aderiu logo ao profissionalismo e contratou praticamente toda a Seleção Paulista, que era um timaço. Os tricolores foram então tricampeões de 1936-37-38 e teriam sido tetra se o Flamengo não tivesse também formado um timaço para ganhar o título de 1939 com Yustrich no gol; Domingos da Guia e Nilton Canegal na zaga; Artigas, Volante e Médio (irmão de Domingos) na linha média; e o ataque com Sá, Valido, Leônidas da Silva, Alfredo Gonzalez e Jarbas. O Rio de Janeiro tinha a cara alegre dos cariocas sempre que o Flamengo vencia ou conquistava títulos. Já era possível, naquele início da década de 40, identificar a torcida Rubro-Negra que elegeu alguns pontos da cidade como seu território próprio. O Café Rio Branco, na Rua Sete de Setembro, bem no coração da cidade, era um deles. Funcionários do jornal "A Noite", liderados por Pilar Drumond, fundariam o grupo "Flamengo de Verdade". Na garagem de barcos da Praia do Flamengo surgiria o "Grupo das Piranhas", cujos componentes estavam sempre dispostos a bater ou apanhar para defender as cores Rubro-Negras. Um outro grupo de históricos Rubro-Negros fundou o "Dragão Negro". Nele pontificavam Ary Barroso, José Lins do Rego, José Alves de Moraes, Fadel Fadel, Francisco de Abreu, Moreira Bastos, Moreira Leite, José Maria Scassa, Emanuel Lobo e outros. A reunião deles acontecia na Confeitaria Colombo, a mais bonita do Rio de Janeiro, localizada na Rua Gonçalves Dias. A contratação do goleiro paraguaio Garcia foi definida numa das reuniões do "Dragão Negro" e coube a Ary Barroso a tarefa de ir buscá-lo em Assunção. A avalanche da popularidade do Flamengo ganhou contornos inacreditáveis com Leônidas da Silva, após seu regresso da Copa do Mundo de 1938, na Itália, batizado de "Diamante Negro" e "Homem de Borracha" por ter inventado a 'bicicleta" no futebol. O show em campos da Itália consagrou Leônidas, que virou nome de chocolate e foi eleito o "Craque Mais Querido do Rio". Nessa época, embalada pela fama do futebol e pela força do Flamengo, a água mineral Salutaris promoveu um concurso para saber quem era o "Clube Mais Querido do Rio". Os cupons para o torcedor votar saíam diariamente no Jornal do Brasil. O Vasco, clube da colônia portuguesa que dominava as bancas de jornais e os jornaleiros, e que tinha boa parcela da sua fortuna entre os donos das casas de cereais e carnes da Rua do Acre, na Praça Mauá, reuniu sua torcida e garantiu que não perderia de jeito nenhum a disputa. Os vascaínos armaram um esquema quase infalível, mandando para a porta do Jornal do Brasil, ainda de madrugada, uma tropa de jornaleiros encarregada de comprar a maior parte das edições do jornal. A ordem era não dar chance aos Rubro-Negros de competir. Os cupons estavam sendo preenchidos pelos vascaínos e ninguém mais tinha dúvidas da vitória avassaladora do Vasco da Gama como o "Mais Querido do Rio". Pura ilusão. Com ousadia e rara inteligência, os torcedores Rubro-Negros passaram-se por "patrícios lusitanos" e estragaram a festa. Foi assim: vestindo calça de zuarte listrada em preto e cinza, tamancos, camisa de meia com escudo do Vasco no peito, bigodes e boné de pano, os Rubro-Negros colocaram-se à porta do Jornal do Brasil, na Avenida Rio Branco, para "fazer o carreto" dos enormes sacos de pano contendo os cupons com votos para o Vasco da Gama. "Deixa comigo", diziam os rubro-negros, com sotaque e tudo, tomando para si o carregamento dos milhares e milhares de cupons. Com os sacos nos ombros, os falsos "patrícios" sumiam por dentro do Jornal do Brasil e o destino daquele carregamento com os milhares de cupons era simples: os banheiros e o poço do elevador do JB. Quando o resultado foi publicado no jornal, os verdadeiros vascaínos se assustaram. O Flamengo era o "Clube Mais Querido do Rio" e recebia uma taça de prata muito bonita e com mais de um metro de altura que ornamenta a vitrine de entrada da Galeria de Troféus da sede da Gávea. Os verdadeiros "patrícios" reclamaram muito, mas não adiantou Mesmo constatando os banheiros e o poço do elevador entupidos por tanto papel, o Flamengo foi aclamado vencedor e seus torcedores já estavam comemorando como se tivesse ganho um título no futebol. Houve festa no trajeto que levou a Taça Salutaris em triunfo da sede do Jornal do Brasil, na Avenida Rio Branco, até o 22 da Praia do Flamengo, a "República da Paz e do Amor", a sede do "Mais Querido". Essa popularidade Rubro-Negra só fez aumentar ao longo dos anos. Todos os clássicos cariocas com a presença do Flamengo passaram a ser os mais concorridos e com maior número de torcedores. O clássico Flamengo e Vasco foi batizado de "O Clássico dos Milhões". Tem o Flamengo a honra e o orgulho de quebrar todos os recordes de público no Maracanã numa partida entre clubes. No Fla-Flu de 1963, decidindo o título carioca ganho pelo Flamengo, estiveram no estádio mais de 177 mil torcedores. Em outubro de 1996, numa pesquisa encomendada pelo Jornal do Brasil ao Instituto GERP junto à torcida do Rio de Janeiro, o Flamengo recebeu mais votos do que os outros três clubes - Vasco, Fluminense e Botafogo - juntos. Um massacre! À pergunta "Qual o seu time de coração no Rio de Janeiro", 54% dos torcedores consultados responderam "FLAMENGO". O Vasco recebeu 16%, Fluminense e Botafogo 14% e os outros clubes reunidos apenas 2%, enquanto 17% disseram que não torcem por nenhum time de futebol no Rio. Na mesma pesquisa, a nível nacional, o Flamengo também foi o primeiro colocado recebendo a média de 26% dos torcedores de Norte a Sul, Leste a Oeste. Levando-se em conta que o Brasil tem uma população em torno de 157 milhões de pessoas, a "Nação Rubro-Negra" seria composta por 40 milhões de torcedores, ou seja, quase 13 vezes a população do Uruguai, três vezes e meia a população do Chile, quase uma vez e meia a população da Argentina, oito vezes a população dos países nórdicos (Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega) e mais da metade da população da França. Fosse o Flamengo o time mais popular da China, que tem 1,2 bilhões de habitantes, a "Nação Rubro-Negra" chinesa seria composta por quase 312 milhões de pessoas. Quando essa pesquisa foi feita, estava em andamento o Campeonato Brasileiro de 1996 e o Flamengo ocupava a 14ª colocação na tabela. Ainda assim, à pergunta "Qual o melhor time do Campeonato Brasileiro", o Flamengo recebeu 21% das preferências dos torcedores, ficando em segundo lugar um ponto percentual atrás do Palmeiras, que seria o campeão brasileiro de 96. Em novembro de 1998, o IBOPE fez pesquisa para o Diário Esportivo Lance, do Rio, e confirmou tudo o que já se sabia no Rio de Janeiro e no Brasil. No Rio de Janeiro, são 5 milhões e 200 mil torcedores, enquanto Vasco, Fluminense e Botafogo somam, juntos, 4,4 milhões de torcedores. O MAIOR CAMPEÃO DA ERA MARACANÃ Desde que o Estádio do Maracanã foi inaugurado, em 1950, o Flamengo foi quem mais ganhou o título carioca: 17 vezes. Fluminense e Vasco vêm em segundo, com 13 títulos cada um. O Botafogo tem oito campeonatos, enquanto América e Bangu ganharam um título apenas cada. Ao todo, o Flamengo tem 27 títulos cariocas, o mesmo número do Fluminense segundo a Federação Carioca de Futebol, que começou a contagem das decisões em 1906. Mas o Fluminense ganhou também em 1902 e 1904 e por isso na sua história são 28 títulos. O Vasco tem 21, o Botafogo 15, o América 7, o Bangu 2, São Cristóvão e Paissandu , um campeonato cada. Na "Era Maracanã", o Flamengo foi pentacampeão brasileiro, campeão da Libertadores de América e daí arrancou para ser o único clube do futebol carioca a ostentar o cobiçado título de campeão mundial. Na "Era Maracanã", o Flamengo ganhou 15 vezes a Taça Guanabara, sendo pentacampeão entre 1978 e 1982, com a geração maravilhosa comandada por Zico. Nessa caminhada gloriosa, o Vasco foi pentavice!!! De quebra, na "Era Maracanã" pertence ao Flamengo o maior artilheiro de todos os tempos do "Maior Estádio de Futebol do Mundo". O nome dele nem é preciso dizer, mas a gente diz: ZICO, que para desespero de muito atacante vicecampeão que vive por aí marcou 34 gols no campeonato carioca de 1979. Ainda sobre Zico, e para que a Justiça ponha uma pá de cal sobre línguas ferinas e maledicentes, vale lembrar que ele, Zico, jogou como profissional por onze anos - entre 1971 e 1982 - e foi o artilheiro carioca por seis campeonatos. Foram 157 gols em seis artilharias, com média de 26,1 gols por campeonato. Um detalhe que não pode ser desprezado: Zico era meia de ligação, o chamado "terceiro homem", que vinha de trás para dar passes e também concluir. Basta dizer que, ao lado dele, Doval foi o artilheiro em 1972, Dario "Peito de Aço", em 73, e Cláudio Adão em 1978. Pode parecer perseguição aos nossos adversários, mas também pertence ao Flamengo o maior artilheiro de todos os tempos nos campeonatos cariocas disputados desde 1906. O nome dele é Silvio Pirilo, que marcou 39 gols no campeonato de 1941. OUTROS ESPORTES; MUITOS CRAQUES O REMO O Flamengo, que surgiu do remo em 1895, tem sua trajetória marcada pela figura de um baiano do interior, Guilherme Augusto do Eirado Silva, o Buck, que foi remador campeão e que em 1963 assumiu o cargo de técnico. O Flamengo não conquistava um campeonato há 20 anos. Com Buck no comando, o Flamengo ganhou 30 dos 33 títulos cariocas que disputou (perdeu em 64 para o Botafogo e em 70 e 82 para o Vasco). Em outubro de 1996, aos 69 anos,um enfarte fulminante tirou do convívio dos Rubro-Negros e do remo brasileiro o seu maior treinador em todos os tempos. Buck foi técnico da Seleção Brasileira a partir de 63, tendo dirigido a equipe em 10 Pan-Americanos, 17 mundiais e 7 Olimpíadas. Não é exagero dizer que Buck foi o pai, o dono e o inventor do remo brasileiro nos 33 anos em que acordou às 4 horas da manhã para entrar na Lagoa Rodrigo de Freitas para dirigir os remadores do seu Flamengo e da Seleção Brasileira. Sob o comando de Buck o Flamengo foi campeão 13 vezes consecutivas, entre 1982 e 1995, este um título do qual não abria mão porque era o título do Centenário do Flamengo. O BASQUETE Sob o comando de outra "fera" Rubro-Negra, o Flamengo fez história no basquete masculino. Togo Renan Soares, o Kanela, foi o técnico do decacampeonato carioca do Flamengo. Aquela equipe tinha em quadra Zennyr de Azevedo, o Algodão, craque também da Seleção Brasileira. Aquele time que foi dez anos seguidos campeão jogou 195 partidas e ganhou 189. Um fenômeno. Hoje, o basquete do Flamengo tem o comando de Oscar Schmidt, o maior jogador brasileiro de todos os tempos, o único jogador não americano a figurar entre os 12 melhores do mundo na equipe de basquete do século vinte. A pesquisa foi feita nos Estados Unidos. No dia 27 de outubro de 2001, aos 40 segundos do segundo quarto do Fla-Flu pelo Campeonato Estadual, no Maracanãzinho, Oscar bateu o recorde mundial de cestas e superou o americano Kareem Al-Jabbar. Oscar chegou aos 46.727 pontos contra 46.725 do craque da NBA. Ainda no primeiro quarto, ao cobrar falta em dois lances, Oscar já havia se igualado a Al-Jabbar. No final da partida histórica, vitória do Flamengo nos últimos segundos por 108 a 106 com uma cesta de dois pontos do pivô Olívia. Oscar terminou o jogo com apenas 21 pontos, uma pontuação ruim para quem se acostumou a ver o "Mão Santa" marcar quase 50 num jogo. Aos 43 anos de idade, Oscar está em contagem regressiva para encerrar a carreira logo após o Campeonato Brasileiro de 2002. A NATAÇÃO O Flamengo teve grandes nadadores e grandes campeões. Tudo começou com Piedade Coutinho, a primeira nadadora brasileira a participar de uma final olímpica - a Olimpíada de 1936, em pleno nazismo de Hitler. Piedade Coutinho terminou em sexto lugar nos 100m nado livre. O Flamengo formou ainda campeões do naipe de Patrícia Amorim e do falecido Rômulo Arantes, este medalha de bronze mundial. Patrícia Amorim nadou 17 anos pelo Flamengo. Foi heptacampeã brasileira e quebrou 29 recordes sul-americanos sucessivamente, 85 recordes brasileiros e 180 recordes estaduais. Um fenômeno como Maria Elisa Guimarães. Atualmente, Fernando Sherer, o XUXA, é a maior atração da natação do Flamengo, um grande campeão em provas curtas. O FLAMENGO NA CÂMARA FEDERAL Uma pesquisa feita pela "Folha de S.Paulo", em dezembro de 1995, um mês depois de o Clube de Regatas do Flamengo chegar ao centenário, revelou, claramente, que o Mengão domina a política nacional de Norte a Sul, de Leste a Oeste do Brasil. Na edição de Domingo, 24 de dezembro de 1995, a "Folha" informou que dos 513 deputados federais, 50 disseram não gostar de futebol nem torcer por qualquer clube brasileiro. Dos 495 deputados restantes, 93 responderam que torcem pelo Flamengo, ou seja, 18,12% da Câmara Federal. O Corinthians ficou em segundo lugar, com 61 deputados. Aliás, o Corinthians é a segunda equipe na preferência da torcida brasileira, mas com quase oito pontos percentuais abaixo do Flamengo. Naquela mesma pesquisa de dezembro de 96 feita pela "Folha", o Vasco, que no Brasil vem em quinto lugar geral, atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, pode se orgulhar de na Câmara ser o terceiro preferido com uma votação expressiva: tem a metade da torcida do Flamengo!!! Passados quatro anos e nove meses, uma pesquisa pessoal realizada pelo deputado Dino Fernandes, do Rio de Janeiro, revelou números bem mais significativos: há 162 deputados federais que torcem pelo Flamengo, ou seja, 31,58% da Câmara, o que representa quase um-terço da representação política brasileira. Tivéssemos nós que transformar esses percentuais em números absolutos, levando-se em conta que o último Censo do IBGE, de 1996, nos remetia a uma população de 170 milhões de brasileiros (números redondos), só o Flamengo teria uma torcida calculada em 42 milhões. Isto quer dizer que o Flamengo teria quase toda a população da França (que é de 56 milhões), mais do que a Colômbia (que está em torno de 42 milhões), uma vez e meia a população da Argentina, 15 vezes a população do Uruguai, quase dez vezes a população dos países nórdicos - Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega. Se a representação da nossa Câmara Federal fosse na China de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, o Flamengo teria uma torcida em potencial calculada em 370 milhões de pessoas, ou seja, mais do que o dobro da população brasileira do censo de 1996. O torcedor do Flamengo é maioria nacional em todas as faixas etárias, todos os credos, sexo, cor e poder aquisitivo. Uma verdadeira "Nação" democrática. ' size=2> | ||
|
Livro de visitas Assine meu livro de visitas - Leia meu livro de visitas | ||